{"id":318,"date":"2016-06-07T14:05:57","date_gmt":"2016-06-07T14:05:57","guid":{"rendered":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/?p=318"},"modified":"2016-06-07T14:05:57","modified_gmt":"2016-06-07T14:05:57","slug":"ir-a-modista-voltou-a-estar-na-moda-historias-de-quem-faz-roupa-por-medida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/2016\/06\/07\/ir-a-modista-voltou-a-estar-na-moda-historias-de-quem-faz-roupa-por-medida\/","title":{"rendered":"Ir \u00e0 modista voltou a estar na moda. Hist\u00f3rias de quem faz roupa por medida."},"content":{"rendered":"<div class=\"7434be6837f2faf7fb84d58c35337d7c\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:10px 0 10px 0; text-align:center;\">\n<script async src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script>\r\n<!-- Meio postagem1 -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:inline-block;width:320px;height:100px\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-4083846062789388\"\r\n     data-ad-slot=\"3054367358\"><\/ins>\r\n<script>\r\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>\u00c9 no terceiro andar do Edif\u00edcio Interpress, no Bairro Alto, em Lisboa, numa pequena sa\u00adla estreita sobre o comprido, que as Modis\u00adtas de Lisboa confecionam roupas por me\u00addida. Debru\u00e7adas sobre uma mesa ilumi\u00adnada pela luz natural que entra pela porta de uma varanda com vista para o Tejo, Susana Fernan\u00addes e Sara Gaspar det\u00eam-se nos acabamentos de um vestido cujo tecido chama a aten\u00e7\u00e3o pelo exotismo do padr\u00e3o e das cores. Num busto, a um canto, um peda\u00ad\u00e7o do seu talento est\u00e1 exposto num vestido de cerim\u00f3\u00adnia em tecido sabl\u00e9 azul\u00e3o, cujos detalhes n\u00e3o deixam nenhuma cliente indiferente \u2013 decote retangular com encaixe contrastante, aperta atr\u00e1s com sistema de fe\u00adcho-\u00e9clair invis\u00edvel, as mangas em 3\/4 estilo alfaiate, peplum amov\u00edvel a apertar atr\u00e1s com colchete, forrado com tafet\u00e1 tipo ponge. Mas os pormenores desta pe\u00e7a s\u00e3o uma \u00ednfima parte do trabalho que esta dupla \u00e9 ca\u00adpaz de executar. Para al\u00e9m de vestidos de cerim\u00f3nia e de festa, que constituem a maioria dos pedidos, fazem roupas para o dia a dia, desde saias-casacos a cal\u00e7as e blusas. E como os tempos n\u00e3o est\u00e3o de fei\u00e7\u00e3o para recu\u00adsar trabalho, aceitam fazer transforma\u00e7\u00f5es e arranjos.<\/p>\n<p>Existem como dupla de modistas h\u00e1 pouco mais de um ano e j\u00e1 t\u00eam uma carteira de clientes \u00abconfort\u00e1\u00advel\u00bb, o que lhes permite pelo menos acreditar no futu\u00adro do ateli\u00ea. Quem, como elas, mudou de profiss\u00e3o na casa dos trinta e teve de aprender a costurar \u2013 Susana \u00e9 licenciada em Psicologia mas nunca exerceu, traba\u00adlhava numa empresa de telecomunica\u00e7\u00f5es; Sara tinha perdido o emprego numa distribuidora de cinema \u2013, s\u00f3 pode abra\u00e7ar com otimismo uma atividade que parece estar novamente na m\u00f3 de cima. O nome que escolheram para o ateli\u00ea \u00e9 exemplo disso.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/artemodacursos.com.br\/\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-250\" src=\"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/PROPAGANDA2.png\" alt=\"PROPAGANDA\" width=\"500\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00abMais do que fazer bainhas e uns arranjos, quisemos passar uma mensagem: a de que temos vontade de re\u00adcuperar o of\u00edcio de modista e a tradi\u00e7\u00e3o de ir \u00e0 modis\u00adta\u00bb, diz Sara. E isso passa por conseguir atrair as pesso\u00adas mais jovens, criar nelas o h\u00e1bito de mandarem fazer roupa por medida. \u00c9 mais caro do que o pronto-a-vestir de um modo geral, \u00e9 certo, mas \u00e9 tamb\u00e9m um merecido investimento na imagem. \u00abFaz toda a diferen\u00e7a vestir uma roupa que cai no corpo como uma luva\u00bb, diz Susa\u00adna. \u00abMesmo as pessoas magras, que s\u00e3o mais f\u00e1ceis de vestir, tiram mais partido da roupa feita \u00e0 sua medida do que no pronto-a-vestir.\u00bb As clientes reconhecem a vantagem e parecem satisfeitas com o perfecionismo de Sara e Susana, para quem \u00abos trabalhos mais dif\u00edceis de executar s\u00e3o um desafio\u00bb. E apesar de trabalharem mais do que alguma vez imaginaram, \u00e9 com um sor\u00adriso largo que reconhecem: \u00abNunca fomos t\u00e3o felizes no trabalho.\u00bb O arrependimento n\u00e3o mora neste ateli\u00ea.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas05.jpg\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-7245 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas05.jpg\" alt=\"nm1149_modistas05\" width=\"576\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>O ARREPENDIMENTO TAMB\u00c9M N\u00c3O MORA no ateli\u00ea de Linda Ramos, na Rua do Cabo, em Campo de Ouri\u00adque, Lisboa. \u00c9 com boa disposi\u00e7\u00e3o que Linda, de 41 anos e filha de modista, continua o legado da m\u00e3e em duas frentes \u2013 no ateli\u00ea de confe\u00e7\u00e3o por medida e na escola de corte e costura Europa. Nunca quis fazer outra coisa na vida, nem a frequ\u00eancia do curso de T\u00e9cnica Superior de Educa\u00e7\u00e3o (que abandonou quase no fim) a demoveu da costura. Era mi\u00fada quando come\u00e7ou a familiarizar-se com a agulha, as linhas, a tesoura e o tempo, ao ver a m\u00e3e e as suas costureiras de volta dos tecidos. Foi aprenden\u00addo a passar marca\u00e7\u00f5es, a cortar, a p\u00f4r em prova, a aparar e a chulear as costuras, a abrir a ferro. Mas foi na escola fundada e gerida pela m\u00e3e que aprendeu a executar com perfei\u00e7\u00e3o o que h\u00e1 de mais complicado nesta arte.<\/p>\n<p>Andou a\u00ed tr\u00eas anos em forma\u00e7\u00e3o, tendo a m\u00e3e como professora, e hoje \u00e9 ela quem ensina. Fundada em 1962, a escola Europa \u00e9 das mais antigas em Lisboa, mas n\u00e3o ser\u00e1 a antiguidade que lhe garante a lota\u00e7\u00e3o nas inscri\u00ad\u00e7\u00f5es: \u00e9, sobretudo, \u00aba qualidade\u00bb da forma\u00e7\u00e3o, que no caso do curso completo de costura tem uma dura\u00e7\u00e3o de 1152 horas em dois anos. O pre\u00e7o \u2013 190 euros por m\u00eas \u2013 n\u00e3o \u00e9 \u00e0 partida atraente. \u00abMas se as pessoas pensarem que \u00e9 um investimento numa profiss\u00e3o com futuro, em que aprendem tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para executarem os trabalhos mais complexos, ter\u00e3o outra perspetiva.\u00bb<\/p>\n<p>Numa altura em que parece haver uma recupera\u00e7\u00e3o deste of\u00edcio, em parte provocada pela onda de desempre\u00adgo e pela necessidade de as pessoas procurarem outras atividades (a abertura de muitas casas de arranjos nos \u00faltimos anos \u00e9 disso exemplo), a oferta \u00e9 proporcional \u00e0 procura que, no caso da confe\u00e7\u00e3o por medida, \u00abtem sido c\u00edclica\u00bb, como testemunha Linda: \u00abAntigamente, n\u00e3o ha\u00advia fam\u00edlia que n\u00e3o se vestisse na modista. No in\u00edcio de ca\u00adda esta\u00e7\u00e3o era costume as pessoas comprarem os tecidos para os levarem \u00e0s modistas, nas quais se vestiam m\u00e3es e filhos. Isto, nos anos 60 e 70.\u00bb Com a expans\u00e3o do pronto\u2013a-vestir, a procura refreou. E voltou agora em for\u00e7a: \u00abO trabalho de m\u00e3os est\u00e1 na moda. H\u00e1 cada vez mais pesso\u00adas a quererem aprender a costurar, umas para si pr\u00f3prias, muitas para fazerem disto profiss\u00e3o. Nos meus workshops tenho m\u00e9dicas e professoras que os frequentam pelo pu\u00adro gosto de costurar, outras est\u00e3o desempregadas e ve\u00adem nisto uma sa\u00edda. Tamb\u00e9m tenho muitas estudantes de design de moda.\u00bb<\/p>\n<p>O espa\u00e7o \u00e9 amplo mas, mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 suficiente para acolher em simult\u00e2neo as clientes \u2013 \u00abdez regula\u00adres e umas quantas, poucas, espor\u00e1dicas\u00bb \u2013 e as 50 alu\u00adnas dos cursos e workshops (al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de dois anos, a escola de Linda tamb\u00e9m promove worshops de fim de semana para aprender o b\u00e1sico). \u00abTive de estipu\u00adlar dias para cada atividade. Durante quatro dias por se\u00admana a casa funciona exclusivamente como escola, e durante tr\u00eas funciona como ateli\u00ea.\u00bb A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o que lhe ocupa mais tempo. Tanto, que se d\u00e1 ao luxo de re\u00adcusar novas clientes: \u00abAs que tenho s\u00e3o fixas e mante\u00adnho-as por respeito, pois muitas j\u00e1 eram clientes da mi\u00adnha m\u00e3e. Gostava de aceitar mais, mas n\u00e3o consigo des\u00addobrar-me. Tenho uma modista a trabalhar comigo e dois filhos pequenos, g\u00e9meos, que precisam de mim e eu deles.\u00bb<\/p>\n<dl id=\"attachment_7259\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas06.jpg\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-7259\" src=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas06.jpg\" alt=\"Fotografia: Reinaldo Rodrigues\/Global Imagens\" width=\"576\" height=\"340\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">\n<h6>Fotografia: Reinaldo Rodrigues\/Global Imagens<\/h6>\n<\/dd>\n<\/dl>\n<p>O TRABALHO, MESMO EM \u00c9POCA DE CRISE, n\u00e3o tem de ser tudo. Mas para Maria Ant\u00f3nia Rodrigues, que com 74 anos j\u00e1 devia estar a gozar a reforma, continua a ser a sua raz\u00e3o de viver. \u00abTrabalho como quando tinha 30 ou 40 anos, com a mesma energia e afinco. Aprendi a costu\u00adrar aos 10, quando sa\u00ed da escola, e estou \u00e0 minha responsa\u00adbilidade desde os 17. Acho que desde ent\u00e3o n\u00e3o houve dia em que n\u00e3o pegasse na tesoura e na agulha, apesar das dores de costas que me afligem e me p\u00f5em toda torta.\u00bb<\/p>\n<p>Com orgulho na voz, diz que confecionou o primeiro vestido de noiva quando tinha apenas 18 anos. Isto para dizer que faz \u00abtudo com a maior das perfei\u00e7\u00f5es\u00bb, ou n\u00e3o fosse ela modista que aprendeu \u00e0 moda antiga uma ar\u00adte de que \u00abmuitas mulheres se dizem sabedoras, mas na verdade n\u00e3o sabem fazer mais do que bainhas e pregar bot\u00f5es\u00bb. Maria Ant\u00f3nia encontra na crise terreno f\u00e9rtil para a \u00abcharlatanice que por a\u00ed anda\u00bb. Diz ela que sur\u00adgiu \u00abmuita coisa barata e muita coisa m\u00e1\u00bb, referindo-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s pessoas cujo mau trabalho desprestigia a pro\u00adfiss\u00e3o mas tamb\u00e9m ao pronto-a-vestir. E o pior, acres\u00adcenta, \u00e9 haver uma clientela \u00abt\u00e3o pouco habituada aos trabalhos como deve ser. D\u00e1-se por vezes o caso de nem saberem como \u00e9 um trabalho bem feito\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 numa sala pequena de um primeiro andar na Rua da Hortinha, em Portim\u00e3o, que Maria instalou o seu ateli\u00ea h\u00e1 muitos anos, n\u00e3o sabe quantos. Podia fazer mais, mais barato e mais depressa. Ganharia mais di\u00adnheiro, mas o brio obriga-a a fazer como aprendeu. \u00abDas minhas m\u00e3os n\u00e3o saem chinesices, disso as mi\u00adnhas clientes podem estar certas.\u00bb Est\u00e3o. De contr\u00e1\u00adrio, n\u00e3o deixariam nas m\u00e3os desta algarvia a confe\u00e7\u00e3o de quase todas as roupas que usam. \u00abEu ainda perten\u00ad\u00e7o \u00e0quela gera\u00e7\u00e3o de modistas que tem senhoras que se vestem c\u00e1 o ano inteiro. J\u00e1 houve \u00e9pocas melhores, mas hoje as pessoas parece que est\u00e3o a querer voltar. E eu acho isso bem. N\u00e3o falo por mim, que j\u00e1 estou ve\u00adlha e o que tenho chega-me. Falo pelas clientes, por\u00adque o barato n\u00e3o d\u00e1 eleg\u00e2ncia nenhuma.\u00bb<\/p>\n<dl id=\"attachment_7258\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas03.jpg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7258\" src=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas03.jpg\" alt=\"Fotografia:Pedro Granadeiro\/Global Imagens\" width=\"576\" height=\"340\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">\n<h6>Fotografia:Pedro Granadeiro\/Global Imagens<\/h6>\n<\/dd>\n<\/dl>\n<p>UMA OPINI\u00c3O PARTILHADA pela colega Bernardette Guerra, com loja aberta no Centro Comercial Bras\u00ed\u00adlia, na Avenida da Boavista, no Porto. Tal como Ma\u00adria Ant\u00f3nia, Bernardette aprendeu a arte quando era crian\u00e7a, numa costureira \u00ab\u00e0 moda antiga\u00bb, pelo que experi\u00eancia n\u00e3o lhe falta para saber distinguir a con\u00adfe\u00e7\u00e3o por medida do pronto-a-vestir. \u00abBasta olhar para as costuras, j\u00e1 para n\u00e3o falar do forro. E depois \u00e9 a forma como assenta no corpo. Uma cliente que ves\u00adte na modista, tenha ela uma anca larga ou um peito grande, a roupa fica-lhe sempre bem. N\u00e3o h\u00e1 ali na\u00adda demasiado apertado ou demasiado folgado. Est\u00e1 \u00e0 medida e isso diz tudo.\u00bb Tamb\u00e9m sabe distinguir as diferen\u00e7as nas clientes que vestem num lado e nou\u00adtro: \u00abA mulher que vai \u00e0 modista \u00e9 exigente: al\u00e9m de coisas bonitas faz quest\u00e3o de ter coisas bem feitas. \u00c9 uma mulher que quer qualidade nos acabamentos e nos pormenores, seja naquilo que se v\u00ea seja no que n\u00e3o se v\u00ea \u2013 como o forro, l\u00e1 est\u00e1.\u00bb<\/p>\n<p>Em troca da qualidade do trabalho feito por Bernar\u00addette e por duas modistas ao seu servi\u00e7o, as clientes ofe\u00adrecem-lhe fidelidade. Tem algumas h\u00e1 mais de 20 anos e as novas s\u00e3o conquistadas logo depois da primeira pe\u00e7a entregue. \u00abEsta arte n\u00e3o corre o risco de acabar. Tem clientela, por isso tem futuro. N\u00e3o vivo afogada em trabalho, mas o que tenho chega para estar ocupa\u00adda de manh\u00e3 \u00e0 noite.\u00bb N\u00e3o fossem as mazelas \u2013 dores nas costas, uma tendinite em cada ombro, uma cirurgia \u00e0s m\u00e3os e os olhos cansados \u2013, Bernardette s\u00f3 teria coi\u00adsas positivas a dizer da profiss\u00e3o que exerce desde os 20 anos. Hoje tem 56 e t\u00e3o cedo n\u00e3o abandonar\u00e1 a sua m\u00e1\u00adquina de costura, mais sofisticada e r\u00e1pida do que a pri\u00admeira \u2013 uma velha PFAFF que comprou no s\u00edtio onde se formou durante tr\u00eas longos anos. \u00abCostumo dizer que os trapos j\u00e1 nasceram comigo e, sinceramente, n\u00e3o me vejo a largar isto. Vou continuar at\u00e9 as m\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o pode\u00adrem ou os olhos n\u00e3o verem.\u00bb Vai continuar por ela e pe\u00adlas clientes, que \u00abn\u00e3o encontram em mais lado nenhum um trabalho de primeiro n\u00edvel\u00bb.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas02.jpg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7257 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas02.jpg\" alt=\"nm1149_modistas02\" width=\"576\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>TALVEZ POR SER MAIS JOVEM, Diana Matias n\u00e3o acusa as mazelas de Bernardette, mas partilha com ela a paix\u00e3o pela profiss\u00e3o que iniciou em Paris. Es\u00adta modista de 36 anos \u00e9 tamb\u00e9m designer de moda com marca pr\u00f3pria, Didimara, de que tem variados exemplares estrategicamente expostos em cabides no ateli\u00ea, para serem vistos pelas clientes que a ela recorrem para a roupa \u00e0 medida. Entre um traba\u00adlho e o outro, Diana n\u00e3o assume prefer\u00eancias: \u00abGos\u00adto tanto de criar como de fazer roupa a pedido das clientes. Uma coisa completa a outra.\u00bb De facto, n\u00e3o haver\u00e1 muitas modistas que tenham, como ela, uma perspetiva global do universo da moda: enquanto criadora de tend\u00eancias, d\u00e1 largas \u00e0 sua imagina\u00e7\u00e3o, rabisca, experimenta atrav\u00e9s do desenho novos mo\u00addelos, padr\u00f5es e cores; enquanto modista aproxima\u2013se da realidade das pessoas, deleita-se a tocar os te\u00adcidos, a sentir-lhes a textura, a cortar, a coser \u00e0 m\u00e1\u00adquina ou \u00e0 m\u00e3o, a fazer a prova enquanto tenta ler no rosto das clientes sinais de contentamento ou de desagrado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/artemodacursos.com.br\/\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-250\" src=\"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/PROPAGANDA2.png\" alt=\"PROPAGANDA\" width=\"500\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>O ateli\u00ea de Diana Matias est\u00e1 localizado a escas\u00adsos metros da S\u00e9 de Lisboa e a dez minutos a p\u00e9 do Chiado, aonde em tempos as pessoas se deslocavam para ir \u00e0 modista e \u00e0s mais afamadas lojas de tecidos \u2013 talvez por isso Ramalho Ortig\u00e3o falasse da rua principal do Chiado como a \u00abladeira vaidosa\u00bb, a que n\u00e3o faltavam locais de culto para comentar a osten\u00adta\u00e7\u00e3o e a eleg\u00e2ncia no vestir e no porte. A literatura relata um s\u00e9culo XIX e princ\u00edpios do XX em que era costume as senhoras da alta sociedade mandarem copiar as cores e padr\u00f5es impostos pelas revistas de Fran\u00e7a. Tal n\u00e3o escapou \u00e0 mordacida\u00adde de E\u00e7a que, exageros \u00e0 parte, dizia que \u00aba moda \u00e9 que \u00e9 uma religi\u00e3o\u00bb e que \u00aba mo\u00addista reina, absorve tudo, n\u00e3o deixa tem\u00adpo para a menor ocupa\u00e7\u00e3o ou curiosidade de esp\u00edrito\u00bb.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas04.jpg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7246 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.noticiasmagazine.pt\/files\/2014\/05\/nm1149_modistas04.jpg\" alt=\"nm1149_modistas04\" width=\"576\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>NESSA \u00c9POCA, COMO AGORA, quem vai \u00e0 modista gosta de estar bem por fora e por dentro, porque \u00abuma roupa bonita sem um interior apresent\u00e1vel n\u00e3o tem qualidade\u00bb. Quem fala assim, com o conhecimento de muitos anos a fazer roupa por medida e a trabalhar em parceria com lojas das me\u00adlhores marcas de vestu\u00e1rio nacionais e in\u00adternacionais, \u00e9 Paula Bernardo. Ao seu ate\u00adli\u00ea, num r\u00e9s-do-ch\u00e3o da Rua Jacinto Nunes, em Campo de Ourique, Lisboa, chegam pe\u00ad\u00e7as de pronto-a-vestir para arranjar, acer\u00adtar, alargar e subir bainhas. Paula aceita-as por serem mais uma fonte de rendimento e porque lhe permitem aprender novas con\u00adfe\u00e7\u00f5es: \u00abAs boas marcas trabalham bem, fazem \u00f3timos acabamentos. Basta ver o for\u00adro, que na generalidade dos casos \u00e9 um sinal da qualidade da confe\u00e7\u00e3o ou da falta dela: se estiver bem cosido, sem linhas repuxadas e a fazer refegos, o tecido n\u00e3o fica picado. Is\u00adto acontece muito nas costuras das bainhas e das mangas.\u00bb<\/p>\n<p>De resto, esclarece a modista, s\u00e3o jus\u00adtamente os acabamentos que encarecem uma pe\u00e7a \u00e0 medida. Rodeada de bot\u00f5es de v\u00e1rias cores, tamanhos e feitios, encontr\u00e1\u00admo-la ao balc\u00e3o a receber um vestido pa\u00adra transformar. As tranforma\u00e7\u00f5es est\u00e3o na lista de pedidos mais frequentes, quase a par dos vestidos de cerim\u00f3nia. \u00abAgora es\u00adt\u00e1 na moda e n\u00e3o \u00e9 por causa da crise, por\u00adque h\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es que custam mais dinheiro do que mandar fazer ou comprar uma pe\u00e7a nova. H\u00e1 roupas de que as pes\u00adsoas n\u00e3o se querem livrar, preferindo pa\u00adgar um pouco mais pela transforma\u00e7\u00e3o do que deit\u00e1-las ao lixo, por exemplo fazer uma saia de um vestido, ou alterar com\u00adpletamente o feitio de um casaco. Muitas vezes s\u00e3o roupas que foram usadas pelas av\u00f3s. Ou ent\u00e3o pe\u00e7as muito boas e caras.\u00bb<\/p>\n<p>Seja para fazer transforma\u00e7\u00f5es, roupa nova \u00e0 medida ou apenas arranjos, a verda\u00adde \u00e9 que nunca como hoje se viu abrir tan\u00adta casa de corte e costura, o que parece indi\u00adcar uma vontade de recuperar a velha pr\u00e1ti\u00adca de ir \u00e0 modista. Clientes com vontade de usar pe\u00e7as \u00fanicas, pensadas por elas pr\u00f3\u00adprias e executadas por uma costureira \u00e0 mo\u00adda antiga, \u00e9 coisa que n\u00e3o falta. Resta saber \u00e9 se a procura se manter\u00e1 a par da oferta.<\/p>\n<p>Fonte: Noticias Magazine<\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 no terceiro andar do Edif\u00edcio Interpress, no Bairro Alto, em Lisboa, numa pequena sa\u00adla estreita sobre o comprido, que as Modis\u00adtas de Lisboa confecionam roupas por me\u00addida. Debru\u00e7adas sobre uma mesa ilumi\u00adnada pela luz natural que entra pela porta&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/2016\/06\/07\/ir-a-modista-voltou-a-estar-na-moda-historias-de-quem-faz-roupa-por-medida\/\">Continue Reading &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":319,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-318","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vezoinstituto.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}